Intuição e experiência continuam sendo aspectos relevantes na liderança, e Marcio Alaor de Araujo, executivo do mercado financeiro, reconhece o peso de ambas na condução de negócios. O aumento do volume de informações disponível para as empresas elevou o padrão de qualidade esperado das decisões. Escolhas sobre preços, investimentos, contratações ou expansão podem ser testadas, medidas e revisadas com base em evidências.
A tomada de decisão baseada em dados, ou data-driven decision making, como é conhecida em inglês, consiste em utilizar informações coletadas e analisadas de forma sistemática para orientar escolhas estratégicas e operacionais. O método preserva o julgamento humano, mas reduz a margem de palpite e torna explícitas as premissas por trás de cada decisão.
Para quem ocupa cargos de gestão, o desafio está menos na tecnologia e mais em saber que perguntas fazer e como transformar números em ação, aspecto que aproxima o tema da trajetória de Marcio Alaor de Araujo em um setor historicamente orientado por dados. Confira a seguir os níveis de analytics e as condições para que as informações realmente orientem a gestão.
Os quatro níveis de analytics na gestão
A classificação mais difundida divide a análise de dados em quatro níveis. A análise descritiva responde ao que aconteceu, por meio de relatórios e painéis de indicadores. A investigação diagnóstica abrange a análise de variáveis para identificar causas. A abordagem preditiva emprega modelos estatísticos e aprendizado de máquina para prever tendências, enquanto a prescritiva propõe soluções específicas para cada cenário.
A maioria das empresas ainda foca seus esforços na análise descritiva, utilizando painéis de controle para vendas, custos e produtividade. Progredir para análises preditivas possibilita prever inadimplência, demanda ou rotatividade de funcionários, aumentando a capacidade de resposta. No setor financeiro, onde Marcio Alaor de Araujo atua, modelos de avaliação de risco de crédito e de precificação são exemplos bem estabelecidos dessa abordagem.

Na rotina da alta gestão, esses níveis têm usos concretos. Simulações de cenários ajudam a avaliar o impacto de mudanças sobre o fluxo de caixa. Testes controlados permitem comparar versões. Análises de coorte mostram como clientes se comportam, informação útil para decisões sobre retenção, preços e investimentos.
Condições para que os dados gerem valor
Ferramentas de business intelligence e plataformas de análise perdem sua utilidade quando a base de informações é inconsistente. A governança de dados, com a definição de responsáveis, padrões de qualidade e dicionários de indicadores, garante que diferentes áreas utilizem a mesma linguagem ao apresentar números. O tratamento dessas informações também precisa respeitar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que estabelece regras para o uso de dados pessoais.
Entretanto, para o empresário Marcio Alaor de Araujo, que prioriza resultados e desenvolvimento organizacional, a cultura analítica depende principalmente das pessoas. Capacitar gestores para a interpretação de dados, estimular o questionamento de premissas e proporcionar acesso às informações aos responsáveis pela tomada de decisões diárias é o que permite que a análise de dados se torne uma prática de gestão, em vez de um projeto isolado da área de tecnologia.
Outra condição é trabalhar apenas com indicadores relevantes. Painéis com muitas métricas dispersam a atenção. Por outro lado, KPIs ligados a objetivos estratégicos e acompanhados de metas claras fazem com que cada variação dispare perguntas concretas. É preciso ter cuidado para não confundir correlação com causalidade ou selecionar apenas os números que confirmam uma opinião já formada.
Dados como apoio ao julgamento de quem decide
A qualidade das decisões é aprimorada quando há combinação de informações confiáveis, indicadores bem definidos e gestores preparados para interpretá-las. O analytics coloca à prova a experiência sem substituí-la, revelando quando uma convicção deve ser revista. A gestão ideal, segundo a visão de Marcio Alaor de Araujo, alia a tradição analítica do mercado financeiro ao foco em desenvolvimento organizacional.
Esse equilíbrio também demanda a revisão dos critérios utilizados à medida que o negócio se desenvolve. É imprescindível que os indicadores acompanhem as novas prioridades, ao passo que os gestores devem levar em conta o contexto, os riscos e os impactos que os dados, isoladamente, não conseguem explicar. Dessa forma, a análise deixa de ser apenas um suporte à decisão e passa a fazer parte de maneira contínua do processo de gestão.