O Quilombo Urbano Maloca foi um dos principais focos da programação do 2º Seminário do Turismo de Aracaju, realizado entre os dias 28 e 30 de setembro de 2026, dentro da IX Semana Acadêmica do Turismo do Instituto Federal de Sergipe (IFS). A comunidade recebeu uma visita técnica do IdeAJU, iniciativa voltada à elaboração de soluções e propostas para o desenvolvimento do turismo na capital sergipana.
Com o tema A Maloca é nosso berço de cultura e resistência, a edição de 2026 aproximou estudantes, profissionais, representantes do setor turístico e integrantes da comunidade. A programação incluiu uma caminhada interpretativa pelo território, com saída do campus do IFS, além de debates sobre inovação, inteligência artificial, afroturismo, cultura e economia criativa.
Segundo a Prefeitura de Aracaju, as atividades buscaram aproximar a formação acadêmica das demandas e das oportunidades identificadas no território. Ao final do encontro, os participantes apresentaram propostas para ampliar o potencial turístico do Quilombo Urbano Maloca, embora a publicação oficial não detalhe quais medidas serão implementadas nem estabeleça um cronograma para as próximas etapas.
Afroturismo valoriza memória e identidade de Aracaju
O debate sobre o afroturismo em Aracaju está relacionado à valorização da história, da memória e das manifestações culturais da população negra. Nesse contexto, a Maloca aparece como um território de identidade e resistência, capaz de integrar a oferta turística da cidade sem reduzir a comunidade a um cenário ou a uma atração isolada.
A proposta também dialoga com experiências já reconhecidas em documentos institucionais. Em seu Boletim de Inteligência sobre Afroturismo, o Ministério do Turismo cita a Caminhada Aracaju Negra, com passagem pelo Centro de Criatividade e pela Maloca, como uma experiência baseada na valorização da história e da cultura negra da capital sergipana.
Esse tipo de iniciativa pode contribuir para diversificar os roteiros turísticos de Aracaju e estimular a atuação de guias, produtores culturais, empreendedores e organizações comunitárias. No entanto, o desenvolvimento de atividades no território exige planejamento, escuta dos moradores e definição clara sobre como os benefícios econômicos e culturais serão distribuídos.
Protagonismo comunitário é um dos desafios
Transformar um território de resistência em destino turístico envolve cuidados que vão além da divulgação. A construção de roteiros precisa preservar o protagonismo dos moradores, respeitar as formas de organização da comunidade e evitar abordagens que folclorizem a cultura negra ou apresentem a história local de maneira superficial.
Nesse sentido, a participação do IFS amplia o espaço para a formação de profissionais preparados para trabalhar com turismo de base comunitária. A aproximação entre estudantes e território permite observar as potencialidades existentes e, ao mesmo tempo, reconhecer limites, necessidades de infraestrutura e formas adequadas de relacionamento com os visitantes.
As discussões sobre inteligência artificial e inovação, presentes no seminário, também podem ser relacionadas à divulgação de roteiros, à produção de conteúdos e à organização de informações turísticas. Ainda assim, qualquer ferramenta tecnológica precisa estar subordinada à narrativa construída pela própria comunidade e ao respeito pela privacidade de seus integrantes.
Maloca integra agenda cultural de Aracaju
A presença da comunidade em agendas públicas reforça sua relevância no cenário cultural da capital. De acordo com a agenda oficial do Ministério da Cultura, o Espaço Maloca foi incluído na programação de uma visita da ministra Margareth Menezes a Aracaju, em 2 de outubro de 2026, para um encontro com a comunidade cultural sobre cultura como vetor de transformação social e garantia de direitos.
A inclusão da Maloca em diferentes programações indica que o território pode cumprir funções simultâneas de preservação da memória, produção cultural, formação e turismo. Para que esse potencial se consolide, será necessário acompanhar os desdobramentos das propostas apresentadas no IdeAJU e verificar se haverá novos roteiros, atividades permanentes ou ações de capacitação.
Por enquanto, o seminário representa uma etapa de diálogo entre a comunidade, o poder público, o setor turístico e a instituição de ensino. O principal resultado está na possibilidade de construir uma agenda de afroturismo em Aracaju com participação local, valorização da cultura negra e geração de oportunidades sem afastar a Maloca de sua história e de sua função como espaço de resistência.