Richard Lucas da Silva Miranda, fundador da LT Studios, publisher brasileira de jogos digitais com atuação no mercado de games e tecnologia, considera a abertura do iOS no Brasil uma das mudanças mais relevantes para a monetização de jogos móveis em anos, desde que o estúdio saiba comparar os caminhos disponíveis.
Em 18 de junho de 2026, a Apple liberou no país as lojas de aplicativos alternativas e os sistemas de pagamento de terceiros no iPhone, para aparelhos com iOS 26.5, segundo o Poder360. A medida decorre de um acordo com o Cade, firmado em dezembro de 2025, após investigação iniciada com denúncia do Mercado Livre.
O caminho tradicional: a App Store
Vender pela App Store continua sendo a opção mais simples. A loja já tem alcance e processa os pagamentos. Em troca, cobra comissão de até 21% sobre bens e serviços digitais, conforme o Poder360. Quem participa do Programa de Pequenas Empresas, ou renova assinaturas depois do primeiro ano, paga taxa reduzida de 10%.
Richard Lucas da Silva Miranda menciona que, para um jogo que ainda busca público, essa conveniência pesa: o estúdio paga mais, mas não precisa montar infraestrutura de cobrança.
O novo caminho: pagamentos e lojas externas
A mudança permite que desenvolvedores processem pagamentos fora do sistema da App Store e distribuam o jogo por lojas alternativas. Segundo o Poder360, apps vendidos fora da App Store terão comissão de 5%. O Olhar Digital informa que as lojas alternativas ainda dependem de autorização da Apple e que os aplicativos passam por um processo de notarização.
Para o estúdio, o ganho potencial está na margem. Um exemplo hipotético ajuda: se um jogo faturar R$100 mil em compras digitais, uma comissão de 21% retira R$21 mil, enquanto uma de 5% retiraria R$5 mil. A conta real é mais complexa, porque o pagamento externo traz custos próprios, como tarifas do processador, atendimento e prevenção a fraudes.
Comparação direta
Os dois modelos diferem em quatro pontos. O primeiro é o custo, que tende a ser menor fora da loja, mas exige que o estúdio assuma tarefas que antes eram da Apple. O segundo é a confiança: o jogador conhece a App Store e pode hesitar em inserir dados em outro ambiente. O terceiro é a segurança, já que a própria Apple afirma não conseguir garantir o mesmo nível de proteção em canais externos. O quarto é a operação, porque lidar com reembolsos, impostos e suporte passa a ser responsabilidade do estúdio.
Richard Lucas da Silva Miranda avalia que a decisão não precisa ser excludente. Segundo ele, o estúdio pode manter a App Store como porta de entrada e oferecer pagamento externo a quem já conhece o jogo e prefere esse caminho, medindo o resultado antes de ampliar.
Nesse contexto, vale checar quatro pontos. O primeiro é o contrato: até 6 de julho de 2026, os membros do Programa de Desenvolvedores da Apple precisavam aceitar a versão mais recente do acordo de licença, de acordo com o Olhar Digital. O segundo é o tratamento de dados dos jogadores. O terceiro é a proteção infantil, que segue como exigência. O quarto é a experiência de compra, que precisa ser simples para não perder conversões.
Por que isso importa para jogos brasileiros
O celular é a principal plataforma de 44,1% dos jogadores brasileiros, segundo a Pesquisa Game Brasil 2026. Num mercado em que o mobile lidera, uma redução de comissão pode alterar a conta de quem depende de microtransações e assinaturas.
O estúdio deve acompanhar os comunicados oficiais e evitar planejar o caixa com base em uma única condição, pois a abertura não é um atalho para lucrar mais, mas sim uma ferramenta que exige análise de custos, de risco e de experiência do jogador.
Richard Lucas da Silva Miranda, fundador da LT Studios, resume o ponto ao dizer que o estúdio que trata o canal de pagamento como decisão estratégica, e não apenas técnica, está mais bem preparado para transformar uma mudança de regra em ganho real.