O engenheiro Felipe Schroeder dos Anjos costuma explicar que a diferença entre uma concessão de serviços ambientais bem avaliada e outra criticada pela população raramente está nos contratos assinados, mas sim em indicadores operacionais concretos, como perdas na rede e tempo de resposta a falhas, medidos ao longo do tempo e comparados entre diferentes gestões.
Perdas na rede revelam a real eficiência de uma concessão
Empresas que perdem grande parte da água tratada antes de chegar às residências, seja por vazamentos ou ligações clandestinas, gastam recursos e energia com tratamento que nunca chega ao consumidor final, encarecendo a operação como um todo e pressionando a tarifa cobrada de todos os usuários, mesmo os mais econômicos e conscientes no consumo diário de água.
Reduzir esse índice, avalia Felipe Schroeder dos Anjos, exige investimento contínuo em manutenção preventiva e substituição de tubulações antigas, algo que muitas operadoras adiam justamente por não gerar retorno visível no curto prazo para os gestores responsáveis pela concessão e para o mandato em curso, mesmo sabendo do custo futuro dessa escolha.
Tempo de resposta a falhas mede o compromisso com o usuário
Um vazamento não reparado em poucas horas se transforma rapidamente em desperdício de água, buraco na via pública e reclamações acumuladas, revelando falhas de planejamento que vão além do problema técnico pontual em si, e que afetam diretamente a rotina dos moradores e comerciantes da região atingida por dias seguidos.
Segundo o engenheiro ambiental, Felipe Schroeder dos Anjos, operadoras que investem em equipes de plantão e sistemas de monitoramento remoto conseguem reduzir drasticamente esse tempo de resposta, o que se reflete diretamente na percepção de qualidade do serviço pela população atendida em diferentes bairros da cidade e nas regiões periféricas.
Regularidade da coleta também é indicador de eficiência
Cidades onde a coleta de resíduos segue horário previsível, sem faltas recorrentes, apresentam menos acúmulo de lixo nas ruas e menor incidência de descarte irregular por parte de moradores frustrados com atrasos constantes na rotina do caminhão de coleta e na comunicação da prefeitura com os bairros atendidos pelo serviço.

A previsibilidade do serviço, mais do que a frequência em si, costuma ser o fator que mais influencia o comportamento da população em relação à separação e ao descarte correto de resíduos domiciliares ao longo do tempo, segundo observações de campo em diferentes cidades brasileiras de portes variados e realidades sociais distintas.
Operadores públicos e privados enfrentam os mesmos desafios?
A natureza jurídica do operador, pública ou privada, importa menos do que a estrutura de incentivos e fiscalização sob a qual ele trabalha, já que ambos os modelos apresentam exemplos de sucesso e de fracasso no país, dependendo da qualidade da gestão local e do compromisso técnico da equipe envolvida em cada contrato.
Felipe Schroeder dos Anjos pondera que contratos com metas claras e penalidades efetivas por descumprimento tendem a produzir melhores resultados do que a simples escolha entre gestão pública ou concessão privada do serviço prestado à população, independentemente da origem do capital investido na operação.
Transparência de dados fortalece a fiscalização da população
Divulgar indicadores operacionais de forma acessível e transparente, em vez de mantê-los restritos a relatórios técnicos internos, permite que a própria população cobre melhorias e identifique padrões de piora antes que se tornem crises visíveis para toda a cidade e para a imprensa local especializada em pautas urbanas.
Municípios que adotam painéis públicos de acompanhamento desses indicadores tendem a criar pressão efetiva e constante por eficiência, reduzindo a dependência de fiscalização exclusivamente feita por órgãos reguladores com recursos limitados e equipes reduzidas frente ao tamanho da demanda populacional atendida.