Daniel Mors, presidente fundador da Golden Brasil e empresário especialista em negócios com minérios, explica que nem todo ouro presente em um minério tem o mesmo tamanho de partícula, e essa diferença muda completamente a dificuldade de recuperá-lo. Enquanto pepitas e grãos maiores são relativamente fáceis de separar, o ouro fino, partículas quase microscópicas, exige equipamento e técnica bem mais específicos.
Essa diferença explica por que duas operações podem processar o mesmo tipo de minério e obter resultados de recuperação bem diferentes, dependendo de quão preparadas estão para lidar especificamente com as frações mais finas do metal.
O que diferencia ouro fino de ouro grosso no processo de extração?
Ouro grosso se refere a partículas ou pepitas visíveis a olho nu, com tamanho suficiente para serem retidas facilmente por métodos simples de separação, como bateias ou calhas com peneiras mais largas. Ouro fino, por outro lado, se apresenta como partículas microscópicas, muitas vezes misturadas de forma quase indistinguível à areia e ao cascalho.
Daniel Mors destaca que essa distinção de tamanho não é apenas uma questão visual: ela determina qual tipo de equipamento e qual princípio físico de separação realmente funciona para capturar aquele metal, sem que ele escape junto com o material descartado.
Por que a separação por densidade perde eficiência com partículas menores?
A separação por densidade, princípio usado em calhas concentradoras e bateias, funciona porque o ouro é significativamente mais denso do que a areia e o cascalho ao seu redor. Esse princípio funciona bem com partículas maiores, que sedimentam de forma previsível no fundo do equipamento durante a agitação da água.

Com partículas muito finas, porém, esse comportamento se torna menos confiável. Daniel Mors pontua que grãos microscópicos de ouro tendem a ficar suspensos na água por mais tempo, junto com sedimentos leves, o que reduz a eficácia da separação puramente física e explica por que uma parte do ouro fino costuma ser perdida mesmo em operações que usam equipamento de concentração básico.
Os equipamentos pensados especificamente para captar ouro fino
Para lidar com essa dificuldade, existem equipamentos projetados com telas expandidas de alta retenção e tapetes específicos para captar partículas mais finas, aumentando o tempo de contato entre o material e a superfície de captação. Modelos com sistema de tripla concentração, combinando diferentes tipos de tela e núcleos de captação, chegam a reportar recuperação de ouro fino superior a 90%, quando bem calibrados.
Para Daniel Mors, investir nesse tipo de equipamento faz diferença justamente nas operações em que a fração fina representa parcela relevante do ouro total presente no minério, situação comum em muitos depósitos aluvionares brasileiros.
Sem esse tipo de equipamento específico, a operação tende a captar apenas o ouro grosso, mais fácil de recuperar, e descartar junto com o rejeito uma quantidade de ouro fino que poderia ter sido aproveitada com o ajuste técnico correto.
Por que esse detalhe técnico separa operações eficientes das que perdem metal sem perceber?
A diferença entre uma operação apenas razoável e uma operação verdadeiramente eficiente muitas vezes está exatamente nesse ponto: a capacidade de capturar também o ouro fino, não apenas o ouro grosso, mais fácil de identificar e recuperar.
Esse tipo de perda costuma passar despercebido, já que não aparece como uma falha evidente, mas como um índice de recuperação levemente abaixo do esperado, sem uma causa óbvia à primeira vista. Entender essa diferença técnica entre ouro fino e ouro grosso ajuda a identificar exatamente onde investir em melhorias, em vez de aceitar como inevitável uma perda de metal que, na maioria dos casos, tem solução técnica conhecida.