Categoria decidiu continuar a paralisação até pelo menos 23 de setembro enquanto cobra do governo estadual medidas para retomar o escalonamento da carreira.
Os professores da rede estadual de Sergipe decidiram manter a greve iniciada em 8 de setembro em meio ao impasse sobre a retomada da carreira do magistério. A decisão foi tomada em assembleia realizada na quinta-feira (17), e a paralisação deve continuar, pelo menos, até a próxima quarta-feira (23), segundo informações divulgadas sobre a mobilização. A categoria reivindica que o Governo de Sergipe implemente os efeitos da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionada à estrutura da carreira docente. (Destaque Noticias – Destaque Noticias)
O conflito envolve uma decisão do STF tomada na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4.871, que declarou inconstitucional uma lei estadual que havia alterado a carreira do magistério. A Corte entendeu que a legislação sergipana contrariava regras nacionais sobre a formação necessária para o exercício da docência nos primeiros anos da educação básica. O desdobramento da decisão passou a envolver também a forma como a carreira dos professores deve ser reorganizada. (Notícias do STF)
Por que os professores de Sergipe decidiram manter a greve
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica da Rede Oficial do Estado de Sergipe (Sintese), a principal reivindicação é o cumprimento da decisão judicial e a retomada dos escalonamentos da carreira do magistério. A entidade afirma que os percentuais previstos antes das mudanças realizadas em 2011 devem voltar a ser considerados na estrutura da carreira. Segundo informações divulgadas pelo sindicato, a categoria continuará mobilizada enquanto não houver uma proposta considerada concreta para essa retomada. (Sintese)
A assembleia realizada em 17 de setembro decidiu pela continuidade da paralisação até pelo menos o dia 23. Os professores também aprovaram a desocupação da sede da Secretaria de Estado da Educação, onde a categoria havia permanecido desde o início da greve. Nesta sexta-feira (18), os grevistas programaram um ato público no centro de Aracaju para apresentar à população os motivos da paralisação. (Destaque Noticias – Destaque Noticias)
A mobilização ocorre depois de uma sequência de discussões envolvendo a carreira docente e a decisão do Supremo. O STF declarou, em 2025, a inconstitucionalidade da legislação estadual que havia extinguido carreiras de nível médio no magistério estadual voltadas à educação infantil e aos primeiros anos do ensino fundamental. A Corte afirmou que cabe à União estabelecer as diretrizes gerais da educação e manteve a exigência prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação para esses profissionais. (Notícias do STF)
Para o sindicato, entretanto, a decisão judicial precisa produzir efeitos concretos na estrutura da carreira. A entidade sustenta que o governo estadual deve apresentar uma proposta para a retomada dos escalonamentos e vem pressionando a administração estadual por uma solução. O Sintese também informou que pretende manter a mobilização e ampliar o diálogo com a sociedade sobre o tema. (Sintese)
O que diz o Governo de Sergipe sobre a carreira dos professores
O Governo de Sergipe apresenta uma interpretação diferente sobre o estágio atual da questão. Em manifestações anteriores, a administração estadual afirmou que vem mantendo diálogo com o Sintese e que a retomada da carreira já vem sendo implementada desde 2024. Em junho, a Secretaria de Estado da Educação informou que mais de 21 mil servidores tiveram avanços nos níveis da carreira em 2026, com percentuais que variam de acordo com a formação. (Secretaria do Esporte)
Segundo o governo, os percentuais aplicados em 2026 incluem 7% para graduação, 10% para especialização, 15% para mestrado e 50% para doutorado. A administração também afirma que mantém um abono temporário para profissionais do magistério e que a remuneração inicial de um professor com ensino superior completo, considerando o abono, chega a R$ 5.774,72 por vínculo. Esses valores são apresentados pelo governo como parte das medidas adotadas para a valorização da categoria. (Sergipe)
A gestão estadual também argumenta que a discussão jurídica sobre a carreira envolve questões relacionadas à estrutura do magistério e à decisão do STF. Em junho, a Seed afirmou que as análises estavam sendo realizadas com cautela e que o governo buscava conduzir o processo respeitando a Constituição e a legislação vigente. A pasta informou ainda que mantém reuniões com representantes do sindicato desde 2023. (Secretaria do Esporte)
A questão, portanto, não se resume apenas à existência ou não de reajustes. O ponto central da atual mobilização está relacionado à forma de reorganização da carreira e aos efeitos atribuídos à decisão judicial. Enquanto o sindicato cobra a retomada dos escalonamentos nos moldes reivindicados pela categoria, o governo afirma que já vem adotando medidas de valorização e estruturando a carreira dentro das condições administrativas e jurídicas avaliadas pela gestão. (Destaque Noticias – Destaque Noticias)
Como a greve pode afetar as escolas e os alunos de Sergipe
A paralisação atinge a rede estadual de ensino e coloca no centro do debate o funcionamento das escolas e a continuidade do calendário escolar. Em manifestações anteriores sobre movimentos grevistas, o Governo de Sergipe informou que a rede estadual possui 319 escolas e atende aproximadamente 144 mil estudantes. A administração estadual também destacou que a manutenção das atividades escolares é uma preocupação relacionada ao calendário letivo. (Sergipe)
Para as famílias, o principal ponto de atenção é acompanhar as orientações da escola e da Secretaria de Estado da Educação sobre a manutenção ou suspensão das atividades. Alterações na rotina escolar podem afetar aulas, avaliações, atividades pedagógicas e planejamento das famílias, especialmente quando a paralisação se prolonga. Eventuais mudanças no calendário precisam ser comunicadas oficialmente pelas unidades responsáveis pela rede de ensino.
A duração da greve ainda depende das próximas decisões da categoria e da evolução das negociações com o governo. A assembleia realizada em 17 de setembro definiu a manutenção do movimento pelo menos até o dia 23, quando novas discussões poderão ocorrer. Até lá, professores e governo seguem diante da necessidade de encontrar uma solução para a disputa envolvendo a carreira do magistério estadual. (Destaque Noticias – Destaque Noticias)
O histórico recente mostra que o assunto vem sendo discutido há meses. Em junho, o Governo de Sergipe informou que havia realizado reuniões com o Sintese e que uma comissão formada por órgãos estaduais vinha analisando a estrutura da carreira. Em outra atualização, a Secretaria de Educação afirmou que os estudos e cálculos relacionados à retomada da carreira estavam sendo apresentados e que uma reunião final com o governo seria prevista dentro do cronograma estabelecido pela comissão. (Secretaria do Esporte)
Enquanto o impasse permanece, a situação deve continuar sendo acompanhada por professores, estudantes e famílias da rede estadual. A decisão do STF é um dos elementos jurídicos centrais da discussão, mas a implementação prática de seus efeitos depende dos desdobramentos administrativos e das tratativas entre governo e categoria. A continuidade da greve mostra que, até 18 de setembro, não houve acordo suficiente para encerrar a mobilização.
Para os professores, a principal questão é a definição de como a carreira será estruturada após as decisões judiciais. Para o governo, o desafio envolve conciliar a aplicação das determinações judiciais com as medidas administrativas e financeiras necessárias para reorganizar a rede. Para os estudantes e suas famílias, o efeito mais imediato é a possibilidade de mudanças na rotina escolar caso a paralisação continue. (Destaque Noticias – Destaque Noticias)
O próximo marco da mobilização está previsto para 23 de setembro, quando a categoria poderá avaliar novamente os rumos da greve. Até lá, novos encontros e manifestações podem alterar o cenário. As informações oficiais divulgadas pela Secretaria de Educação e pelo sindicato serão importantes para que professores, alunos e responsáveis acompanhem as decisões sobre o funcionamento das escolas e sobre as negociações relacionadas à carreira do magistério estadual.
Fontes:
Destaque Notícias — Professores de Sergipe mantêm a greve
Supremo Tribunal Federal — STF invalida lei de Sergipe que extinguia carreiras de nível médio no magistério estadual
Governo de Sergipe — Governo dialoga com a categoria do magistério
SINTESE — Professores seguem em greve por tempo indeterminado